Tecnologia

O verdadeiro perigo da tecnologia, segundo Yuval Noah Harari

Os riscos não estão em uma possível "supremacia e tirania dos robôs", mas sim no uso que faremos dos avanços tecnológicos

O verdadeiro perigo da tecnologia, segundo o autor de ‘Sapiens’

Quando pensamos nos impactos da tecnologia para o futuro, uma das preocupações comuns tem a ver com os empregos: o que será de nós quando a inteligência artificial for capaz de fazer o que fazemos? Para o historiador Yuval Noah Harari, autor de Sapiens – Uma Breve História da Humanidade e professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, esse cenário têm proporção maior do que pensamos. Segundo ele, a tecnologia pode favorecer a formação de tiranias – e não precisa ter vontade própria para isso.

A análise foi feita por ele em um artigo publicado no site The Atlantic. O autor cita, por exemplo, o crescente protagonismo da tecnologia em detrimento do humano. No século XX, o “homem comum” era visto como herói e como a figura mais importante para o futuro. Hoje, termos como inteligência artificial (IA), blockchain e engenharia genética ganham cada vez mais relevância. O resultado disso é um aparente crescimento da insignificância do humano.

Considerando a tecnologia do século passado, a concentração de informação e de poder era ineficiente. “Ninguém tinha a capacidade de processar rapidamente todas as informações disponíveis e tomar as decisões certas”, diz. Por isso, regimes e economias como a da União Soviética padeceram em detrimento a outros como os dos Estados Unidos.

A cada dia, diz ele, essa lógica tende a se inverter. A IA, por exemplo, possibilita que se processe um grande número de informações de forma centralizada – e inclusive funciona melhor dessa forma. Ela também tem mais sucesso conforme a privacidade diminui. Um governo autoritário que ordenasse o mapeamento genético de toda a população, por exemplo, teria incontáveis vantagens e avanços no campo da medicina. E essa é apenas uma das inúmeras possibilidades que podem ser trazidas pela tecnologia e explorada por governos.

“Mesmo que algumas sociedades permaneçam democráticas”, completa o autor, “a crescente eficiência dos algoritmos ainda irá deslocar cada vez mais a autoridade de humanos individuais para máquinas em rede”. Com sistemas capazes de ajudar nas mais variadas decisões, as pessoas tenderiam a ter cada vez menos autonomia sobre suas escolhas. “Mesmo agora, confiamos na Netflix para recomendar filmes e no Spotify para escolher a música que gostaríamos”, diz ele. “Uma vez que começamos a contar com a IA para decidir o que estudar, onde trabalhar e com quem namorar ou até casar, a vida humana deixará de ser um drama de tomada de decisão e nossa concepção de vida precisará mudar”.

Para frear os riscos de disruptura em qualquer um dos dois cenários, o autor diz que é preciso entender desde a mente humana até propriedade dos dados – que tendem a ser o bem mais precioso e o alvo da luta por controle. “Se você acha essas perspectivas alarmantes”, diz ele, “a contribuição mais importante que você pode dar é encontrar maneiras de evitar que muitos dados sejam concentrados em poucas mãos”. Sem qualquer ação de prevenção, diz o autor, os humanos correm o risco de se tornar algo similar a “animais domesticados”.

“Estamos criando humanos mansos que produzem enormes quantidades de dados e funcionam como chips eficientes em um enorme mecanismo de processamento de dados, mas dificilmente maximizam seu potencial humano”, diz ele. “Se não formos cuidadosos, acabaremos com os seres humanos rebaixados usando mal os computadores para causar estragos em si mesmos e no mundo”.

 

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