Esporte e Fitness

O que é voo livre?

O voo livre é um esporte em que o piloto utiliza os contrastes de temperatura do vento para realizar voos não motorizados. A categoria inclui apenas asa-delta e parapente. A asa-delta conta com uma estrutura maior e pode alcançar até 100 km/h, enquanto o parapente não costuma passar dos 70 km/h. O esporte chegou ao Brasil em 1974, quando o piloto francês Stephan Segonzac chamou a atenção ao decolar com uma asa-delta do alto do Corcovado, no Rio de Janeiro. Em 1975, aconteceu o 1º Campeonato Brasileiro de Voo Livre, e já há campeonatos mundiais desde 1976. @-@

O voo é livre, mas não é por isso que não deve ser seguro. Entre os equipamentos de segurança, além do capacete, estão rádio, aparelho de GPS (que serve como mapa, mede a velocidade do vento e indica sua direção) e variômetro (que mostra quantos metros por segundo o piloto sobe ou desce e ainda mede temperatura e pressão atmosférica

PINTOU UM CLIMA

O piloto deve estar de olho no tempo antes e durante o voo – chuva está fora de cogitação. Para decolar, ele pode fazer um “voo de lift”, quando o vento bate na encosta da montanha e mantém o equipamento no ar. Já o voo de térmicas rola com bolhas de ar quente geradas pelo contato do sol com o chão. Essas bolhas, por serem menos densas que o ar ao redor, permitem que as asas e parapentes subam

HAJA CORAÇÃO

Para se aventurar pelo céu brasileiro, não há muitos pré requisitos. Baixinhos e gordinhos, por exemplo, podem voar sem medo. De acordo com instrutores, basta ser maior de 18 anos e não sofrer de nenhuma doença cardíaca – como o esporte injeta adrenalina no sangue, cardíacos podem não aguentar o tranco

PARAPENTE

Antes de decolar com o parapente, é preciso ajustar a cadeira, chamada de selete. Depois, é só esperar o vento inflar o velame, 2 frear lentamente enquanto pega o impulso e voilà. Para pousar, o esquema é parecido com o da asa-delta: planejar, identificar a direção do vento, fazer a aproximação do local do pouso e, no caso do parapente, puxar o freio. A aterrissagem com esse equipamento é mais simples, já que a sua velocidade é menor. Por isso, é possível realizar pousos em áreas menores e com mais precisão

ASA-DELTA

Na hora de decolar com a asa-delta é preciso checar a intensidade e a direção do vento – que deve ser sempre contrário ao piloto. 1 A asa deve ficar nivelada ao chão, e o piloto tem que projetar o peito para dentro do trapézio. Depois, é só dar uma corridinha 2 e se jogar. 3 Na hora da aterrissagem, é preciso identificar com exatidão a direção do vento (também contrária ao piloto) e fazer acelerar um pouco e se deixar levar até perder a velocidade – manobra chamada de aproximação

PARA O ALTO E AVANTE!

Um voo pode alcançar cerca de 3 mil metros de altitude e tem duração variada: se houver muitas térmicas, o voo tende a ser mais demorado. Já se as nuvens estiverem baixas, o piloto é obrigado a voar próximo ao chão, o que atrapalha a performance. Em termos de distância, o recorde mundial pertence ao austríaco Manfred Ruhmer, que percorreu 700 quilômetros em uma asa-delta

PONTO DE PARTIDA

As rampas não têm uma altura mínima – pilotos experientes conseguem decolar de rampas com apenas 30 metros de altura. O tamanho dos morros pode variar e chegar a até mais de 500 metros. No entanto, para servir como ponto de decolagem, não basta a rampa ser alta. Ela precisa também ter uma licença, que é concedida pelas associações de voo livre e pilotos locais

PARECIDO, MAS DIFERENTE

Paraquedismo é outra modalidade das alturas

Os nomes se parecem, mas voo livre e queda livre são bem diferentes. “Pilotos de voo livre fazem pouso e decolagem. Já o paraquedista usa uma plataforma, salta em queda livre e abre seu paraquedas”, diz Paulo Guilherme Menezes, presidente da Federação Paulista de Voo Livre.

 

Quatro passos para você praticar voo livre

Aprenda a fazer voo livre e curta a paisagem de outro ângulo

Por Bruno Romano*

O ano de 2018 é bastante especial para o voo livre no Brasil. Há exatas três décadas, as primeiras investidas de parapente realizadas por pilotos locais se tornavam realidade no céu do Rio de Janeiro – os voos já saíam da clássica rampa da Pedra Bonita. Nas três décadas seguintes, o país se firmou como um dos principais locais do mundo no assunto, além de berço de ótimos atletas.

“A grande vantagem do Brasil é que o ambiente permite opções para praticar o ano inteiro”, ressalta o carioca Chico Santos, 51, que voa há 32 anos e há seis se dedica à presidência da Confederação Brasileira de Voo Livre (CBVL). “A procura pelo esporte segue em crescimento, e o desafio tem sido a formação dos pilotos”, diz Chico, que participou da equipe brasileira de asa-delta em oito mundiais, tanto como atleta como líder de time.

Na fase atual, a modalidade tem apostado na estruturação: já são 600 instrutores homologados via CBVL aptos a ensinar interessados no processo de voar sozinhos – e lugares para isso não faltam. No Centro de Voo Livre de São Conrado, o primeiro do Brasil, que possui sua base na zona oeste do Rio de Janeiro, cerca de 40.000 voos duplos são realizados por ano. É um dos principais pontos de iniciação e turismo envolvendo asa-delta e parapente, unindo o histórico local com a beleza das redondezas.

Para Eduarda Soares, coordenadora do centro, “não precisa ter coragem, só vontade”. Filha de piloto, Eduarda voa desde a infância e nota que a busca por adrenalina dos novatos logo revela um lado mais contemplativo da prática. Acostumados com “batismos” diários, os cerca de 140 instrutores no radar do centro tiram de letra a habilidade para quebrar o gelo inicial. “É impossível dizer que uma modalidade vai ser melhor que a outra – a escolha vai de cada um”, diz Eduarda.

PASSO 1: EXPERIMENTE

Voos duplos são o ponto de partida para entrar nesse mundo. E o Brasil possui atualmente mais de 380 clubes espalhados pelo território nacional. Encontre algum mais próximo da sua casa e veja se ele possui instrutores homologados e com experiência.

PASSO 2: INFORME-SE

Se você seguiu o passo anterior, tudo vai dar certo – desde que você cumpra com as orientações do instrutor. Aos poucos, entenda o que está acontecendo em cada momento e se aprofunde nos detalhes. Cuidado para não dar um passo maior que a perna. Grande parte dos acidentes acontece quando alguém pensa que está dominando a dinâmica dos voos e age sem prudência.

PASSO 3: PRATIQUE

A maior parte dos cursos oferece equipamentos nas primeiras fases de aprendizado. No sistema atual adotado pelo Brasil, há cinco níveis, que vão do novato total ao máster. Tem uma série de requisitos seguidos por instrutores e clubes para subir de nível, como distâncias percorridas e tempo de prática. A partir da fase 4, é possível se tornar instrutor. O importante nesse processo é treinar e evoluir com inteligência: mesmo com o acesso a previsões climáticas, saídas em parapente ou asa-delta podem mudar de dinâmica abruptamente, e é essencial estar preparado para agir.

PASSO 4: ESCOLHA

Deixe para escolher naturalmente seu rumo depois de vivenciar bastante o esporte nos ares e se capacitar com os pés no chão. Há três caminhos básicos para se seguir: ser um piloto de duplo, podendo voar com frequência e tirar sustento disso; se tornar um atleta competitivo, uma jornada bastante específica; ou optar pelos voos “lúdicos” – cerca de dois terços dos pilotos homologados no Brasil hoje fazem parte do último grupo.

*Parte da reportagem “Sonho Meu” da Revista Go Outside, nº 154, agosto/setembro de 2018

Via
Go Outside
Fonte
Super Abril
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Daniella Reis

Recém formada em Tecnologia da Informação, hoje com foco em fortalecer o marketing digital através de aplicativos com maior potencial de resultados.
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