Tecnologia

Gêmeos digitais e transformação digital: qual é a ponte?

Empresas de todo o mundo vêm lançando mão deste recurso. Governos também, afirma diretor do SEPRORGS

Até 2022, os investimentos mundiais em tecnologias e serviços relacionados à transformação digital somarão US$ 1,97 trilhão, segundo estudo da IDC. A consultoria prevê que, ano a ano, o crescimento destes aportes fique na casa dos 16,7%, e que, até 2020, 30% das empresas do G2000 liberem até 10% de seus orçamentos para soluções desta linha.

Um mercado em constante expansão, mas que ainda carece de compreensão. Segundo especialistas, embora muito se fale em Transformação Digital, poucas são as empresas e profissionais que, de fato, entendem o que é e como fazer a digitalização útil de seus negócios.

Roberto Mazzilli, diretor de Relações com Instituições de Ensino do SEPRORGS, entidade que representa as empresas de informática do Rio Grande do Sul, é um dos que propõem este questionamento. “O que seria digitalizar um negócio? Por que isso o melhoraria? São questões comuns, que, acredito, só possam ser respondidas por exemplos práticos de aplicação”, comenta.

Uma das amostras propostas pelo diretor é a dissociação entre o físico e o virtual, gerando maior flexibilidade.

“Na TI, por exemplo, se fala em virtualização de servidores como uma boa prática de infraestrutura, já que permite criar um hardware virtual, associado a recursos físicos, que rodará determinados softwares. Assim, um mesmo servidor físico pode ter diversas máquinas virtuais, cada qual com seu ambiente, atualizado ou proprietário, definido para determinadas aplicações. Isso cria uma menor dependência e dá uma flexibilidade muito maior para diversas coisas dentro de uma mesma plataforma”, destaca.

Outra linha de aplicação do conceito à realidade, segundo Mazzilli, é a tendência dos Gêmeos Digitais (Digital Twins), que consiste, basicamente, em criar uma réplica digital de algo que será prototipado fisicamente.

Pode ser uma máquina, uma fábrica, um prédio ou mesmo o funcionamento de um corpo. Através dessa digitalização, é possível interagir diretamente com o Gêmeo Digital, realizando simulações, compreendendo melhor o resultado de uma mudança ou ação, para só então, com alto grau de previsibilidade, executar a ação na forma física, real.

Mesmo que o conceito já venha sendo falado desde 2002, foi com o avanço da IoT, utilizando sensores, que essa tecnologia se tornou mais amigável e com custo acessível para sua efetiva utilização.

“Empresas de todo o mundo vêm lançando mão deste recurso. Governos também. Podemos pensar em vários usos dos Digital Twins, como P&D, desenvolvimento cooperado com o cliente e uma forte relação com Customer Experience (CX), permitindo que o consumidor experimente algo no digital, tenha suas impressões e ajude o fornecedor a ajustar o produto para realmente satisfazê-lo, partindo disso para o ambiente de uma produção em escala mais assertiva”, afirma o especialista.

Conforme o diretor, o conceito também se aplica muito bem à manutenção de equipamentos com maior complexidade, ao teste de materiais alternativos, à avaliação de matérias-primas passíveis de substituição, ao próprio processo de planejamento de um produto, aliado a uma estratégia de design.

“Indo além, a tendência de Digital Twins aliada a outras inovações, como Blockchain, permite criar a digitalização em um sistema seguro e distribuído, disseminando a informação para as partes interessadas, deixando-a transparente e, ao mesmo tempo, protegida”, reforça Mazzilli. “Informação que pode, ainda, ser combinada com Inteligência Artificial, permitindo o aprendizado, de forma mais rápida, a partir de um processo digitalizado, dando alternativas de materiais e características, bem como realizando previsões a partir do uso de algoritmos inteligentes”, complementa.

De aplicações focadas no corpo humano, passando por organizações e até mesmo a demanda pela simulação de máquinas e ambientes no espaço, os Gêmeos Digitais se aplicam com potencial para, combinados a diversas outras tecnologias, alcançar resultados exponenciais em funcionalidade e economia de projetos diversos. “É um belo exemplo de como contextualizar a Transformação Digital na prática”, conclui o executivo.

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