Gana registra 2 casos fatais de Marburg, vírus da família da EBOLA
Esta é a primeira vez que vírus é detectado no país. Patógeno causa febre hemorrágica e é fatal em cerca de 88% dos casos
A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou, nesta sexta (8/7), que Gana notificou dois possíveis casos de pacientes infectados com o vírus Marburg, da família do Ebola. Ambos os indivíduos morreram.
As primeiras amostras analisadas deram positivo para o patógeno e estão em outro laboratório para confirmação. Esta é a primeira vez que o vírus é detectado no país.
O Marburg é um vírus muito letal, levando a óbito cerca de 88% dos pacientes infectados. Não há tratamento nem vacina. Os principais sintomas aparecem entre 2 e 21 dias depois da exposição e são: diarreia, febre alta, dor muscular, dor de cabeça severa, náusea e vômitos. O vírus também causa febre hemorrágica.
A maioria dos pacientes sofre sangramentos internos e externos, apresentando sangue no nariz, gengivas, vagina, no vômito e nas fezes.
O patógeno circula entre morcegos da fruta e humanos que já foram infectados após exposição prolongada em minas ou cavernas. A transmissão entre pessoas acontece no contato pele a pele, por fluidos corporais ou superfícies infectadas.
Os casos notificados até hoje aconteceram em Angola, Congo, Quênia, África do Sul e Uganda, todos países do sul e oriente do continente. Gana fica no ocidente da África. O vírus Marburg consta na lista da OMS como um patógeno de interesse, que pode causar uma pandemia.
A entidade afirma que está preparando uma resposta para um possível surto do vírus enquanto as investigações seguem, e enviou especialistas para ajudar as autoridades de saúde de Gana. Até o momento, 34 pessoas que tiveram contato com os pacientes estão em quarentena, e não houve mais nenhum caso confirmado.
Vírus de Marburg [Wikipédia] →
O vírus de Marburg ou vírus de Marburgo (MARV) é o agente causador da febre hemorrágica de Marburg, que teve epidemias conhecidas em 1967 (a primeira), e depois em 1975, 1980, 1987, 1998, 2004 – 2005 (cujo epicentro foi Angola) e 2007-2014 (cujo epicentro foi Uganda).
Tanto a doença quanto o vírus estão relacionados com o ébola e têm origem na mesma área geográfica (Uganda e Quénia ocidental). A sua fonte é uma zoonose de origem desconhecida.[carece de fontes]
A estrutura viral é típica dos filovírus, com longas partículas fibrosas que têm um diâmetro consistente mas que variam muito em comprimento, entre uma média de 800 nm até 14.000 nm, com o auge da actividade infeciosa por volta dos 790 nm. O seu vírion contém 7 proteínas estruturais conhecidas. Sendo praticamente idêntico ao vírus do Ébola em estrutura, o vírus de Marburg é antigenicamente distinto do vírus do Ébola – por outras palavras, ele produz anticorpos diferentes, nos organismos infectados.
Este vírus foi documentado pela primeira vez em 1967, quando 31 pessoas adoeceram nas cidades alemãs de Marburg e Frankfurt am Main e na cidade sérvia de Belgrado, aparentemente por causa de macacos Cercopithecus aethiops infectados, que haviam sido importados do Uganda para o uso no desenvolvimento de vacinas pólio. Foi o primeiro filovírus a ser identificado.
A doença é caracterizada por um súbito ataque de febre, dores de cabeça e mialgia após um período de incubação de 5 a 10 dias. Passada uma semana, aparece uma inflamação maculopapular, seguida de vómitos, dores do peito e abdominais e diarreia. A doença pode então agravar-se ainda mais, com icterícia, delírios, falência do fígado e hemorragias extensas. A recuperação é prolongada e pode ser marcada por inflamação dos testículos, hepatite recorrente, mielite recorrente ou uveíte, inflamação da medula espinal, dos olhos ou da glândula parótida.
Dependendo dos serviços de saúde e do apoio hospitalar disponível, a doença pode ter taxas de letalidade extremamente altas. Durante um surto de Marburg ocorrido em Angola entre 2004 e 2005, das 252 pessoas que contraíram um sorotipo particularmente virulento, 227 (90%) morreram.[1][2][3] Entre julho e setembro de 2007, mineiros que trabalhavam na gruta de Kitaka, em Uganda, foram diagnosticados com a febre hemorrágica de Marburg. Aparentemente o vetor da doença foram morcegos-da-fruta (Rousettus aegyptiacus).[4] A gruta e a mina abrigavam 40.000 a 100.000 desses morcegos.[5]